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VOLKSWAGEN POLO
 A (cara) aposta da VW para voltar à liderança

Texto: Glenda Pereira
Fotos: Divulgação

GUARUJÁ (SP) - Com visual que o diferencia bastante dos demais modelos Volkswagen vendidos no Brasil, o novo Polo chega com a difícil missão de trazer de volta a liderança da marca - perdida no ano passado para a Fiat e, neste ano, com o segundo lugar ameaçado pela Chevrolet. Trabalho duro para esse hatch compacto que não tem no preço seu principal atrativo, num mercado em que 75% das vendas correspondem a modelos 1.0.

     

Inicialmente, o Polo - lançado em setembro no Salão de Frankfurt - chega às lojas de todo o Brasil com duas opções de motorização: 1.6 de 101 cavalos e 2.0 de 116 cv, os mesmos motores do Golf. Mas a cartada seguinte da montadora (em poucos meses) será o propulsor 1.0, que tem a inquestionável vantagem do IPI mais baixo. São três as versões de acabamento: básica (1.6 e 2.0); Comfortline (1.6 e 2.0) e Sportline (somente 2.0). Todas serão vendidas a partir de maio, já como linha 2003.

Como chamariz para enfrentar a concorrência (leia-se os novos Corsa e Fiesta, embora a VW faça questão de colocar seu modelo num patamar acima), o Polo traz de série ar-condicionado e direção eletro-hidráulica - acionada por motor elétrico em vez de correia, dando mais suavidade em manobras e firmeza em alta velocidade.

A versão 1.6 básica vai custar a partir de salgados R$ 28.990,00. O novo Corsa com motor 1.8 de 102 cv e preços entre R$ 25.240 e R$ 37.982. O trunfo da Ford para o Fiesta baiano será o motor 1.0 Supercherged (com compressor, sem turbo) de 95 cv, a mesma potência do atual 1.6. A montadora está apenas esperando a concorrência para anunciar os preços do novo Fiesta, produzido em Camaçari (Bahia).

     

Situado entre Gol e Golf, o Polo tem uma designação especial criada pela VW para esse hatch: compacto premium. Trata-se de uma estratégia de marketing para dizer que o modelo não é um simples Gol nem um requintado Golf. Basta analisar as medidas dos três modelos: 3,88 m de comprimento (Gol), 3,89 m (Polo) e 4,14 m (Golf). Mas é claro que ele é tão compacto quanto o Gol, da mesma forma que o novo Corsa e o velho Corsa - embora a GM teime em dizer que o novo está entre o Corsa e o Astra.

Com uma distância entre-eixos de 2,46 m, a montadora conseguiu um melhor aproveitamento do espaço interno em relação ao conhecido Gol, graças principalmente ao posicionamento transversal do motor - no Gol ainda é longitudinal . Mas quem viaja nos bancos traseiros continua sofrendo com a falta de espaço para as pernas. Como todo compacto, seja comum ou premium, é possível acomodar apenas quatro pessoas. O quinto passageiro - o que vai no meio - tem de ser uma criança, e pequena. E quando o assunto é bagagem, o conselho é não exagerar. Com capacidade para levar até 270 litros, o porta-malas é ainda menor que o do Gol (de 285 litros).

     

Carsale avaliou o Polo 1.6 entre São Paulo e o Guarujá, pela sinuosa estrada Mogi-Bertioga. O motor de 101 cavalos a 5.500 rpm e torque de 14,3 kfm a 3.250 rpm não decepciona, mas não arranca suspiros - mesmo sendo bem mais leve que o Golf (1.224 kg ante os 1.082 kg do Polo). As relações de marcha são longas, deixando as retomadas um pouco lentas. Já nas curvas, o carrinho mostrou-se estável, transmitindo segurança. Os freios - com discos ventilados na dianteira - mostraram-se eficientes. A versão 1.6 oferece os sistemas ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem) como opcionais. Segundo a montadora, o modelo alcança velocidade máxima de 180 km/h e acelera de 0 a 100 km/h em 11,4 segundos.

A bordo do Polo, na versão 1.6 topo de linha avaliada, é difícil acreditar de que se trata de um Volkswagen feito no Brasil - desconte aí o Golf produzido no Paraná. Esqueça o padrão de acabamento do Gol, Parati, Saveiro, Santana...O Polo é bem-acabado, abandonando aquele plástico injetado que riscava só de olhar. Os comandos dos vidros elétricos e travamento das portas são de fácil acesso, bem posicionados nas portas. O volante lembra o do nostálgico New Beetle, de quatro raios. Acomodar-se não é problema, pelo menos para quem dirige. De série, traz banco do motorista com ajuste de altura e volante com regulagens de altura e profundidade - ótimo para os motoristas que medem mais de 1,80 m e vivem esbarrando o joelho no volante.

     

À primeira vista, o que mais chama atenção é o design dianteiro, com os faróis duplos redondos de diferentes tamanhos - visual que pode ainda ser completado por mais dois "redondinhos" faróis de neblina. Já as lanternas traseiras seguem a mesma linha, mas sem tantas "bolas". Destaque para as lentes bicolores e refletores em forma de círculo e retângulo. Olhando de lado, as linhas da carroceria lembram a forma de arco, seguindo uma tendência mundial da indústria automobilística que remete a dinamismo.

Para produzir o Polo no país, a VW fez investimentos de R$ 2 milhões na reformulação da fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP). Nessa linha toda informatizada e de conceito modular, o carro é montado por 400 rôbos, soldado e checado a laser, o que incluiu até a construção de uma pista de testes. Além do Brasil, o Polo é fabricado na Espanha, Eslováquia, China, e a partir de agosto, na África do Sul. A previsão de produção do modelo para este ano é de 50 mil unidades, sendo 25% destinadas a exportação.